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Quinta-feira, 11 de Novembro, 2010

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O JOGO DA MINHA ESPERANÇA

 

 

“Se não houver frutos, valeu a beleza das flores… Se não houver flores, valeu a sombra das folhas... Se não houver folhas, valeu a intenção da semente…”
(Henfil)

 

Escrever sobre o Sporting Clube de Braga é sempre um acto de Amor e Paixão, adjectivos entranhados bem no íntimo de cada braguista um factor de paixão e orgulho, e como seu amante até nem necessita de muita inspiração para desenhar as letras sobre o tema porque ela é facilmente compreendida e oferecida pelos seus intervenientes.

 Neste particular de jogos inolvidáveis ou ficaram na minha (nossa) memória ou porque foi importante no seio da competição ou porque se tratou de um jogo que pelas incidências, mexeu com o coração dos bracarenses, a escolha é vasta e até se fosse a escrever amanhã outras linhas sobre o assunto por cero o jogo que relataria seria outro.

  Assim, nesse aspecto, recordo com saudade mas com um sorriso nos lábios, o ano de 1982, jogo das meias-finais da Taça de Portugal época 82.83 que opunha no velhinho Primeiro de Maio - a rebentar pelas costuras – o SCB ao Benfica, com a vitória a sorrir ao “braguinha” por duas bola a uma com os golos da nossa equipa a serem marcados pelo açoriano Armando Fontes (os dois).

 Quando supra citado refiro que o Estádio estava a rebentar pelas costuras não o escrevo em sentido literal, pois em mais de 35 anos a assistir aos jogos do SCB, no que respeita ao palco do 1º de Maio, acreditem que se alguma vez esteve ou se aproximou da barreira dos 50.000 espectadores foi nesse jogo que apresentava uma moldura humana espectacular e que foi caso para se dizer: não cabia uma agulha, só para dar exemplo eu estava enlatado entre o meu pai e o vizinho do outro lado. Se desse para o torto de certeza que podia haver no rescaldo feridos e sei lá bem mais o quê.

 Mas adiante. Em relação ao jogo que iria colocar o braguinha (na minha memória, pois não recordava a final das Antas em 78), pela primeira vez no palco do Jamor contra o Sporting que tinha derrotado de forma convincente o Rio-Ave, pautado pelo mano a mano com o golo a poder surgir para qualquer um dos lados e como era a prova rainha foram 90 minutos de emoções ao rubro sempre com o pensamento na vitória e no Jamor.

Foi uma partida de futebol jogada num Sábado de Páscoa e eu recordo-me que a maior parte das vezes que jogávamos no sábado de Aleluia eram mais as vezes que vencíamos do que qualquer resultado.

Logo cedo, nesse dia, o meu coração palpitava de alegria mas também de ansiedade pois finalmente era chegado o grande dia, posso dizer o maior de todos em termos desportivos para mim envolvendo o scb pois se já tínhamos algumas participações de realce como já tinham sido as duas décadas anteriores, o Braga podia almejar o segundo troféu para o seu museu.

Antes de chegar ao jogo do tudo ou nada (pois o vencedor tinha lugar assegurado na edição desse ano da Taça UEFA, desde que no outro jogo que opunha o Sporting ao Rio Ave equipa leonina vencesse pois sagrar-se-ia campeonato nacional) os bracarenses tinham começado a caminhada com uma vitória caseira por 2-0 sobre o Ermesinde seguindo-se o P. Ferreira com vitória na Mata Real por 1-0. A terceira “vítima” dos arsenalistas foi o Cova da Piedade, a quem venceu por 2-0 na margem sul do Tejo. Já em plenos oitavos de final, e agora em pleno 1º de Maio arrumou, por uma bola a zero a turma do Amora, enquanto nos quartos a anteceder o jogo referência deste artigo, apesar de ter sofrido o primeiro golo na prova, conseguia por outro lado o maior pecúlio em golos marcados: três. O adversário que até costuma ser de má memória nestas coisas de taça (e não só, não é): o Leixões e logo em pleno estádio do Mar.

 Era chegada a altura de jogar no 1º de Maio com o Benfica e deixar de fora da conquista da prova rainha do futebol português um dos maiores candidatos.

  2-1 foi o resultado. Feitas as contas em relação aos golos marcados e sofridos tinha-se conseguido uma performance de onze golos marcados contra apenas dois sofridos. A estes juntar-se-iam os quatro golos da final perdida para o Sporting.

Paralelamente, na mesma época, o SCBRAGA no campeonato nacional terminara ao fim das 30 jornadas num aceitável 7º lugar correspondente a 11 vitórias 8 empates e 11 empates e com 34 golos marcados e 42 sofridos (-8) o que dita a média de um ponto por jornada pois terminou com 30 pontos.

De volta ao jogo contra o Benfica, o jogo que interessa, começaram bem as coisas com o SCB apoiado por uma ruidosa e alegre massa associativa – passou também por aí o sucesso-

Foi um jogo com todos os ingredientes necessários para uma bela partida de futebol.

Logo a começar pela meteorologia que nessa tarde preparou um sol entre algumas nuvens que permitia de quando em vez uma brisa bem-vinda às milhares de almas que enchiam o anfiteatro bracarense, por caso contrário (com muito calor) corria-se o risco de haver algum dissabor capaz de tirar mácula á vitória ou ritmo ao jogo, sempre bem jogado apenas com alguma contenção a espaços (poucos).

Numa toada de parada e resposta com um palco á medida do que o espectáculo merecia (um pouco a antítese do que é hoje o espírito da nossa prova rainha, a mesma que arrastava multidões eliminatória atrás de eliminatória e com os chamados “tomba-gigantes” a aparecerem em praticamente todos os patamares até à final do Jamor. Até nisso o espírito actual transfigurou-se e cada vez mais “fazemos figas” para que os mais “pequenos” (os Davides) virarem “grandes”por uma vez que seja, Golias.

 Depois, o mais importante factor externo ao jogo: o desenho proporcionado pela moldura humana que emprestava ao 1º de Maio uma imagem de festa em que o povo se engalanou para receber sob a passadeira... verde do sucesso a sua equipa, o seu braguinha. Um quadro de verdadeira beleza só à altura dos melhores artistas. Ainda por cima pintada com a cor da vitória.

 Começou por ser um jogo de parada e resposta com o SCB a dar, sem correr muitos riscos, a iniciativa do jogo e depois, um pouco á imagem do Braga actual, sempre á espreita do erro do adversário, espreitava as oportunidades que iam aparecendo sempre com homens terrivelmente fortes na frente de ataque como eram os casos de Fontes (a figura do encontro, ao marcar os dois golos da sua equipa), Mundinho Joy ou Chico Faria. Mas não era só no ataque que pontificavam nomes de meter respeito. Senão vejamos aquela que costumava ser a equipa -tipo dessa época:

Guarda-Redes: Valter (um dos meus preferidos, a par do Conhé, Hélder Rui Correia Quim ou Eduardo)

A defesa faz-me, igualmente fazer um termo de comparação com as últimas apelidadas de betão: lá encontrávamos na direita Artur, na esquerda o João Cardoso (quem não se lembra das meias pelo tornozelo, calções no cai que não cai e aqueles remates em folha seca que deliciavam a plateia braguista?). Eram acompanhados por Dito, Nelito ou Guedes, que tínhamos “pescado” nesse ano ao Varzim. No miolo do terreno uma autêntica parada de estrelas da altura com jogadores bem acima da média (não fosse o desgaste na Taça e certamente que no campeonato podíamos ser uma agradável surpresa, mesmo assim... Nomes: José Serra e Vítor Oliveira, do Ginásio de Alcobaça tinham vindo os fabulosos Vítor Santos e Spencer ou o outro José, o Carlos. Finalmente, na linha avançada e depois de ter passado pelos vizinhos do V. Guimarães, Mundinho um poço de energia, um verdadeiro “touro” cheio de raça e força cuja envergadura física por si só impressionava e colocava em sentido qualquer defesa. A ele juntava-se a restante armada, comandada por Fontes que foi dos melhores marcadores do campeonato, junto com os já referenciados, Joy, Chico Faria, Germano ou Malheiro, o tal que parece que andava sempre á procura de algo valioso nos relvados pois eram raras as vezes que se via de cabeça erguida – Jamais esqueceremos aquela falha que protagonizou na época seguinte, na 1ª eliminatória uefeira, contra o Swansea City que ao ser concretizada podia ter terminado de outra maneira quer esse jogo quer o da 2ª mão. No País de Gales perdemos por 3-1 enquanto que cá no burgo vencemos por 1-0. Se fizermos as contas bem feitas. Mas deixemos os ses. De positivo nesse lance foi a verdadeira cavalgada de Malheiro em direcção á baliza adversária. Depois na hora H é que foram elas. Mas adiante que se faz tarde. Gostava de ter muitas mais memórias sobre o jogo mas pela tenra idade que apresentava creio que está contado aqui um dos melhores desafios que vi tendo como protagonista o nosso Braguinha com aquele sabor especial de ter sido contra o Benfica. Apenas recordo que ficamos, no final da partida, com a ideia de que podíamos ter marcado mais um ou dois golos, mas os dois marcados pelo Açoriano que o SCB foi buscar ao Lusitânia dos Açores (creio eu, se a memória não me atraiçoa).

Só um último reparo: não imaginam a minha tristeza (e de todos os outros braguistas, como é óbvio) aquando do golo encarnado. Parecia que estávamos na Luz. Por isso (mas não só mas também) é que hoje um dos meus maiores prazeres e felicidade é reparar que essa mistura entre o encarnado e o vermelho tende cada vez mais a dissipar-se e acredito que falta menos do que julgamos para os ver reduzidos ao cantinho que é reservado às claques dos adversários. Na impossibilidade de apresentar o escalonamento das equipas dessa meia-final, deixo viva a memória do jogo disputado em Oeiras, no Jamor que ditou a derrota por 4-0 do SCB frente ao Sporting de Oliveira, Jordão...

 

Estádio Nacional (Lisboa), 29.05.82 (Taça - final)

 

Sporting, 4 vs Sp.Braga 4-0

 

Sp. Braga: G.R: Valter, Artur, Guedes, Dito, João Cardoso; José Carlos (Spencer), Serra, Vítor Oliveira; (Malheiro) Vítor Santos, Chico Faria e Armando Fontes.

 

Treinador: Quinito

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por carlitos às 21:50

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