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Quarta-feira, 24 de Agosto, 2011

 

 

                                                                                                                   SCBRAGA vs Sevilha.

 

 «Ou como o “pobre” atrevido e humilde humilhou o grande senhor rico».

 

Sob o pensamento “dos fracos não reza a história”, uma vitória conseguida num campo de batalha por muito adverso e difícil de ultrapassar (ou não o serão todos?) mas este tinha a particularidade de ser uma autêntica muralha para qualquer equipa que visita aquelas terras de Andaluzia. Moral em alta de um Humilde, Humilhados os Grandes”, como li há anos numa crónica onde David virou Golias como neste caso.

 

Aquela tarde noite fez-nos esquecer todas as tristezas, as taxas de desemprego, as crises e os incêndios que fustigaram as florestas (ai Gerês, meu querido Gerês) os nossos governantes e o que (não) fazem para isto melhorar de cara e de saúde pois anda tudo moribundo.

 

Valeu-nos por esses dias, mais uma vez, o futebol, na imagem dos guerreiros do Minho, o SCBraga, que esteve a velar pela felicidade de quem AMA daquela forma que só nós braguistas sentimos e conseguimos atingir qual orgasmo futebolístico qual clímax de felicidade o que nos torna, afinal tão diferentes dos restantes e isto sem qualquer tipo de hipocrisia ou vedetismo tão pouco bairrismo. Apenas se sente assim quem nasce braguista e mais nada!

 

As lágrimas teimaram em cair com o golo de Matheus. O coração já o esperava, ia chegar aos limites previra eu com a certeza de quem vive assim o SCBraga há mais de 35 anos, numa mescla de alegria e de sofrimento, sem conseguir manter-me quieto como se os meus passos fizessem andar mais rápido os ponteiros do relógio.

 

De realçar que os Andaluzes nunca foram equipa superior à equipa comandada por Domingos Paciência.

 

O primeiro golo surgiu aos 31 minutos, por intermédio de Matheus, após boa jogada numa arrancada de Paulo César culminando com um belo remate que Palop apenas defendeu para a sua frente onde o brasileiro teve “apenas” de empurrar a bola para as redes do Sevilla. O Arsenal Bracarense continuou a controlar a partida e já na segunda parte, aos 58 minutos, Lima começava a abrir o livro numa noite tórrida tão típica daquela zona espanhola, ao apontar um hat trick.

 

Logo a seguir Luís Fabiano fez o 2-1 e aos 84 minutos Navas empatou. No mesmo instante em que os sevilhanos começavam a acreditar no apuramento – a equipa precisava de marcar ainda dois golos – Lima acabou com a discussão: aos 85 minutos o brasileiro aproveitou uma má saída do guarda-redes espanhol para fazer o 2-3 e quatro minutos depois marcou o seu terceiro golo, o quarto da equipa bracarense.

 

Mantendo o ritmo louco e apoteótico da partida, Kanouté ainda fez o 3-4 em período de compensações, mas a noite era portuguesa. O Sp. Braga estava, justamente, apurado e estava de parabéns: a equipa, jogadores e técnicos, adeptos que tiveram o privilégio de terem assistido no palco do Pizjuan á partida ao vivo, todos aqueles - eu incluído, é óbvio – que por todo o mundo via rádio, internet ou tv, depois das batidas cardíacas em alto ritmo, do roer das unhas e de olhar constantemente para os minutos, também partilharam a alegria do feito acabado de realizar ao testemunharem uma das mais belas páginas da história do clube que certamente vai merecer destaque por muitos e muitos anos. Para trás já ficaram Celtic e Sevilha. Vamos então continuar a sonhar e através do nosso futebol espectáculo que os nossos jogadores emprestam em cada partida deliciando e aquecendo os corações dos seus adeptos e mostrar toda essa magia a esta europa futebolistica que já conhece o mais recente senhor ilustre da “Champions”. Em Portugal tal façanha só foi conseguida pelo triunvirato do costume, o Boavista e agora o nosso Braguinha.Não é para todos, não senhor!

 

O sonho tornou-se realidade, naquela terça-feira, para a equipa de Domingos Paciência: o Sporting Clube de Braga garantia a presença na fase de grupos da Liga dos Campeões ao bater o Sevilha por 4-3, no jogo a contar para a segunda-mão dos “play-off” da competição milionária.

 

Depois, com o resultado feito e terminado o jogo, caíram as lágrimas por uma face desejosa de viver um momento idêntico há 35 anos (o próximo será o ceptro nacional ou uma das duas ou mesmo as duas, taças a da Liga e a de Portugal)) fizeram ir buscar ao âmago do meu ser, lá bem, bem fundo o grito do guerreiro e chorei novamente e gritei, saltei esbracejei beijei a face do Lima e do Matheus na TV emprestada para a festa.

Apesar de estar de férias em Ofir o senhorio devia “ter-se passado dos carretos” com os nossos gritos e vozes efusivas pois toda a família era a imagem da felicidade.

 

Saí para comprar cigarros para acalmar os nervos e o palpitar deste coração que sofre de amores pelo ENORME, e que esta noite muito saltou mas cheio de orgulho conseguiu aguentar mais uma vez as batidas rápidas que quase provocavam sufoco, a espaços e assim, novamente escondidos os receios e mostradas as virtudes para outra luta tive a oportunidade de mais uma vez mesmo longe de Braga ouvir os cânticos tão usuais nos estádios onde o SCBRAGA joga. Procurei pelas vozes que rompiam a noite e numa cumplicidade houve abraços entre hálitos etílicos abraços apertados e cheios de emoção com só nós braguistas conseguimos sentir. E já em casa ouvia-se nas pequenas e apertadas ruelas de vez em quando as gargantas bracarenses a darem azo á sua alegria.

 

FEZ-SE HISTÓRIA com uma das mais bonitas páginas dos 89 anos do nosso clube a ser escrita naquele dia 24 de Agosto do ano da graça de 2010. Apenas mais um para brevemente completarmos com o almejado titulo nacional. Mesmo que já não possa celebrar entre os vivos prometo que farei a maior das algazarras para martírio de S. Pedro e companhia.

 

Todos estão de parabéns de Felipe a Lima passando por Matheus ou Elderson sem esquecer as vozes daqueles que fizeram em pleno Sanchez Pizjuan a “fiesta” jamais pensada pelos espanhóis depois de pegarem o touro pelos cornos e ganhar respeito naquela arena super lotada. Só faltaram as rosas vermelhas que foram graciosamente substituídas pelo vermelho das camisolas e cachecóis dos nossos amigos braguistas . O SCB no país que é o actual campeão do mundo e da Europa é, hoje, um clube prestigiado com direito a vénia e palavras bonitas escritas por escribas que percebem da coisa e fazem "mea culpa" mas foram melhores. Novamente a história de David e Golias ou dos milhões e dos tostões.

Os Sevilhanos renderam-se ao nosso poderio e sinal disso foi ao intervalo pedirem aos nossos homens as camisolas do jogo. Numa segunda parte imprópria para cardíacos assistiu-se ao 2-0 de Lima e o rebolar no chão alcatifado e entre dentes segredar “já está…” mesmo de, no minuto seguinte sofrermos um golo que Felipe nunca sonhou sofrer nem nos piores pesadelos baixou a fasquia do sucesso que acreditava estava quase. E veio o empate mas as contas com o golo do Axa fizeram-me ter calma e o sonho correu célere como Lima a correr sem pedir licença aos adversários e sem apelo nem agravo desfeitear mais uma vez o desafortunado Palop. Mas não satisfeito quase numa toada de parada e resposta num jogo digno de uma meia-final da Champions (ou Final?) Lima fez mais uma caipirinha adocicada com o hat trick, inédito nestas andanças, virgem nos grandes palcos Lima e companhia foram enormes receberam palmas alheias porque os espanhóis têm bom perder e como os ingleses são autênticos “gentlemens” o que só enobrece ainda mais este feito histórico. Depois o 3º golo dos andaluzes foi numa altura em que os jogadores arsenalistas já só pensavam nos festejos, como seriam recebidos no Aeroporto e na própria cidade.

 

Para muitos deles por essa altura já tinham pensado que afinal a melhor escolha para esta época tinha sido ficado ou assinado pelo SCBraga. Pois esta época mais nenhum clube lhe podia dar o gozo por que viveram o tal êxtase o tal orgasmo que fez vibrar todo o corpo toda uma nação braguista que só tem a agradecer por nos terem oferecido 95 minutos de uma alegria que durará na nossa memória mesmo no último segundo de vida de cada um de nós.

 

A primeira parte da prova rainha das competições Uefeiras foi de dificuldades sérias e elevadíssimas para os bracarenses, pois antes coubera-lhe nas bolas do sorteio a prestigiada equipa do Celtic – que ainda há meia dúzia de anos tinha chegado á final da Taça UEFA onde cairia aos pés do FC Porto de Mourinho. Mas a segunda metade da competição foi bem recheada de dificuldades. Nada mais nada menos que o actual quarto (?) grande de Espanha logo atrás de Barcelona, Real Madrid e Valência e até neste aspecto cá como lá reside o facto de quem será o quarto grande e se realmente (atendendo sobretudo aos anos mais recentes e respectivas performances desportivas) serão o quarto ou se serão algo mais, no caso português há quem troque de posição o Sporting de Braga pelo de Lisboa, mas adiante que isto são contas de outro rosário. Mas o Sevilha tem algo que mete mais respeito não tivesse vencido duas taças UEFA e uma Supertaça Europeia culminando esta época 09/10 com a vitória na Taça do Rei frente ao Atl Madrid, este vencedor da 1ª Liga Europa. Uma equipa recheada de estrelas, desde o Guarda - Redes Palop passando pelo mágico Jesus Navas até Kanouté ou Luís Fabiano.

 

Creio que nestas duas partes apenas os verdadeiros braguistas acreditavam numa inédita passagem á fase de grupos da milionária Liga dos Campeões. De resto um ou outro comentador apenas para ficar bem na fotografia e pouco mais. Começou aqui o explosivo SCBraga versão 10/11. Ou seja, uma metade da competição foi bem recheada de dificuldades. E ultrapassadas de forma impecável com verdadeiros jogos épicos que constituíram autênticos hinos ao futebol bem jogado em todas as linhas, com uma lição táctica do Domingos que com a sua peculiar humildade fez corar meia Europa que boquiaberta mais não teve que dar o braço a torcer e dar as boas vindas ao S.C. Braga na entrada da alta-roda do futebol europeu. Estenderam-lhe a passadeira vermelha sob os holofotes da fama, uma autêntica vitrina para qualquer jogador conseguir vir a jogar ainda mais, ao alto nível.

 

Um feito extraordinário, dadas as condições em que o obteve, pois teve de arredar do seu caminho dois autênticos campeões dos seus países. Naturalmente, como o triunfo premiou a equipa e a encheu de júbilo, o nome SCBraga ocupou com mérito os comentários dos cafés e autocarros no trabalho e nas ruas, ouvia-se falar em orgulho em ser não só braguista mas português quando o coração era de outra cor. Mal refeita das emoções vividas naquela noite de 24 de Agosto, a cidade de Braga aguardava, excitada, o dia amanhecer para ver, quando foi caso disso, porque nem neste aspecto houve unanimidade, grandes fotos dos festejos e dos golos, dos sorrisos e abraços nas primeiras páginas dos jornais e nas aberturas dos telejornais.

Esta partida do Sanchez Pizjuan aconteceu há relativamente pouco tempo mas sinto que muitos vão ter olhos de saudade ao passarem por estas linhas porque queriamos que todos os jogos fossem como os daquela terça-feira: emotivo, atmosfera contagiante e digna dum jogo da fase de grupos da “Champions”,golos, e muitos foram eles! E acima de tudo vitória.Uma vitória que para nuestros hermanos sevilhanos, significa a derrota mais pesada sofrida em “casa” nas competições Uefeiras.Nunca antes, alguém se atrevera a fazer semelhante façanha.

A voragem do tempo há-de encarregar-se de ir apagando, aos poucos, da memória de cada um, vivências e emoções e este jogo não vai, por certo, fugir á regra. Resta-nos os dvd's ou YouTube e as novas tecnologias para de quando em vez, matarmos essa saudade e recordar vezes sem conta Lima e os seus três golos, Matheus e até o franguito do Felipe há-de tirar um esgar dum sorriso malandro. Há-de ser num tempo de despreocupações porque agora temos de continuar a arrepiar caminho e habituarmo-nos aos grandes clubes europeus poisse queremos continuar a ser grandes temos de os enfrentar qual batalha agora as armas destes guerreiros do Minho, cada vez mais serão equiparáveis (não aos milões gastos pelos tubarões, anualmente, na construção dos seus planteis, mas neste último aspecto citado, a magia a sabedoria e a maturação aliadas á experiência que será sempre boa conselheiira serão responsáveis por não se notar tanto a diferença de valores (financeiramente tratando) dentro das quatro linhas. O tempo que vai correr vai acabar por me dar razão. Tenhamos sempre em todasas épocas estruturas internas (SAD e sua força humana) capazes de manter o clube a respirar saúde financeira que os (bons) resultados desportivos surgirão como reflexo dessa filosofia adoptada.

 

Noutro prisma, a passagem á fase de grupos da prova milionária da UEFA, conquistada com mérito absoluto no Estádio Sanchez Pizjuan chegou, por fim, e com ela os jogadores que tão briosamente a souberam conquistar.

Nem a suave brisa matinal de um dia que se anunciava quente, conseguiu refrescar o fogo em que a cidade ardia, euforia e cânticos, gritos de paixão e os corações ao alto que tinha feito esquecer aos bracarenses a noção deste tempo de crise e se viram por dias e dias mergulhados num sono do qual jamais deviam sair.

Os que de Sevilha iam chegando eram as melhores testemunhas de uma proeza única no historial do Sporting bracarense. Acredito que hoje será difícil distinguir esta alegria da de, por exemplo, 1966 quando voltamos a ser a “capital” do bom futebol.

Eles tinham visto como e porque os Deuses escolheram Braga por capital; eles traziam ainda nos olhos e nas gargantas o brilho de uma vitória que vale milhões e prestigio só ao alcance de poucos. Os milhares que acompanharam a equipa nesta jornada de glória funcionaram como os representantes duma cidade e duma região e, vá lá, de um país que em tempo de crise, de orçamentos de Estado por ratificar e farto das mesmas caras a encherem os ecrãs de televisão ou as páginas dos jornais, por momentos tudo foi esquecido e Portugal passou-se para Braga também ela vestindo novamente o epíteto de capital da Galécia.

 

Esgotaram-se as forças dos braços que emprestaram palmas e pausas ensaiadas, roucas ficaram as gargantas de tanto golo e tanto SCBRAGA gritar. Hoje coloca-se o cachecol ao ombro, enrola-se a bandeira. Penso que a missão está (bem) cumprida. Inspiro fundo e fecho os olhos para tentar ver mais além naquilo que de essêncial ficou na alegria de suas caras, a bola que beija suavemente a rede. Uma pequena brisa passa como se fosse o filme destes jogos que realizamos.

 

A todos os actores e técnicos que souberam colocar ao rubro em todas as sessões a sua plateia apenas quero pedir bis para a próxima para assim, devagar, devagarinho chegarmos ao topo e aí cada um destes braguistas vai com um dedo apenas poder tocar os céus. E o resto não vai interessar para nada.

 

Pois que seja feita a vontade do Homem e que continuemos a alimentar este sonho, qual Pedra Filosofal que era o principal objectivo dos alquimistas. Onde, segundo a lenda, aquela, era um objecto que podia aproximar o homem de Deus. Com ela o alquimista podia ainda, transformar qualquer metal vulgar em ouro, como também obter o Elixir da Longa Vida que permitia prolongar a vida indefinidamente. Neste caso vamos em busca da nossa Pedra Filosofal que seja por nós vista como um objecto capaz de prolongar esse nosso sonho até Maio. Como era bom e porque ainda não custa nada vamos continuar a sonhar e a viver esse sonho ou como António Gedeão na sua pedra filosofal escreve...Eles não sabem, nem sonham, que o sonho comanda a vida, que sempre que um homem sonha o mundo pula e avança como bola colorida entre as mãos de uma criança.

Sonhemos, então!

Carlos Alberto Rodrigues

publicado por carlitos às 23:12

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