...onde o facto pactua com a verdade... sempre!!!

contador
Domingo, 14 de Agosto, 2011

 

 

Eu, Conto Gerês

 

 Porque minhoto e conhecedor e amante das belezas da região, ainda por cima com locais de visita obrigatória fui á descoberta de novas relíquias naturais que contribuem para uma paisagem de beleza única e com locais lúdicos e que convidam ao ócio e ao prazer.

Tarefa mais alegre e convidativa a fazer-se em qualquer Verão que traga o astro rei no seu esplendor e com convites a dias quentes e de descoberta. Transportado por um “dois cavalos” gentilmente emprestado por uma amiga tracei desde logo um roteiro para cumprir á risca: Depois das primeiras descobertas matinais, e confortado o estômago, dar um pulo até á serra do Gerês e no final do dia aproveitar uma das muitas ofertas de turismo rural, e aqui o leque é mesmo muito alargado pelo que podia fazer check-in apenas na altura da entrada pois ainda não há o perigo de lotação esgotada.

Queria ir de encontro a uma manhã bem passada pelas calmas paisagens dos montes em redor da majestosa serra geresiana. Opta-se por Santa Isabel do Monte de onde se tem uma vista privilegiada das cercanias do vale do Cávado, miradouro natural sobre o outro lado do “quadro” com montes idênticos, o espelho de água da Caniçada em cujas margens se vislumbram o casario rústico e tradicional e mais antigo, alguns centenários, com ”direito” a Brasão, capelas, a par de outras de traços bem mais recentes que ora são pertença dos filhos da terra ou de forasteiros que escolhem esta paisagem bucólica como forma de manter saúde espiritual e corporal. As habitações de turismo rural também são já em número razoável e são resultado de construções em casas devolutas ou em ruínas, e que com a nova roupagem dão um ar mais rico e belo á paisagem. Com glamour, pode-se dizer e a vontade da gente nova em tornar mais belo o que já era, tornando majestosas as casas agora “convertidas” em hoteis confortáveis e convidativos ao ócio.

É ainda possível calcorrear caminhos que foram batidos vezes sem conta por Miguel Torga, aliás o mesmo deixa explicito “TUDO se conjuga para que nada falte á sua grandeza e perfeição”. Nada mais correcto. Realmente parece que todo o elemento foi colocado pelas mãos divinas como se de um puzzle se tratasse, mesmo nos conjuntos graníticos de rochas que pelo seu amontoar “tosco” parece que vai cair em breve. E lá estão há anos sem conta. Trilhos que avistou com a sua fauna e flora e que lhe serviram de inspiração, caminhos que vêm da idade do bronze e têm histórias e mais histórias por contar.

Uma paisagem e um povo orgulhoso deste seu cantinho mágico e personagens que pertencem a um quadro impressionista onde se realçam as cores vivas, tom natureza, em que podia ser uma noite estrelada ou uma jardim de verde musgo ou de cor granítica pelas pedras das calçadas pelos dólmenes ou pela cor da tez do seu agricultor, com traços cravados nas faces do sol tantas vezes agreste e que não perdoa nos picos do Verão. Ou pela cor dos nevões de que é feito o Inverno das suas vidas. Gente que se orgulho de todo um património religioso, gastronómico, artesanal, de costumes ancestrais e ao mesmo tempo natural e paisagístico.

Notáveis em número e beleza capaz de assemelhar a um conto de fadas, são as trilhos que se pode escolher num leque diversificado e a partir dos quais se observam pontos de interesse cultural, paisagístico, descobre-se o desconhecido, aumenta a adrenalina…

Para os peregrinos, na vertente religiosa o imponente Santuário de São Bento da Porta Aberta a meio caminho entre Gerês e Vilarinho das Furnas ou mais a Norte o Santuário da Nª Senhora da Peneda.

Na gastronomia, como é apanágio de qualquer região do Minho, sempre algo em comum: fartura e bom gosto.

Depois há o artesanato, um pouco por toda a parte mas mais numeroso na vila, em Brufe, Cibões ou Covide. As miniaturas em madeira a retratar artefactos e instrumentos de outros tempos: os carros de bois, alfaias, espigueiros, casas típicas, etc.

Há ainda a mencionar o Centro Interpretativo do Garrano, espécie cavalar em extensão se não se tomarem medidas para a sua preservação, cujo número de cabeças tem vindo a baixar sobretudo por atropelamento, pois não há o ordenamento suficiente para dividir a parte montanhosa das bermas das estradas, ou o Museu Etnográfico de Vilarinho das Furnas as Termas ou o Spa para tratar do corpo, para que fique como a mente: são.

Os olhos ficam um regalo e a alma reconfortada com um programa deste tipo, onde se está rodeado de gente genuína onde não chegou o progresso desnecessário e ainda bem. Santa Isabel do Monte é assim: parece que parou no tempo para mostrar como eram os casarios os arruamentos há 50 ou mais anos. Com o granito a predominar, o verde a separar o aglomerado de casas com a igreja em destaque e depois o resto do quadro com os montes em redor. Mas preciso passar por S. João do Campo outro quadro impressionista onde se pode ver as pontes em ruínas e sob elas as águas revoltas mas cristalinas, calçadas empedradas de história, veigas ricas em água e árvores de fruto numa dança de cores inebriantes. Mágico quadro que nos põe assim calmos e de espírito limpo. Seguindo as indicações ao fim de poucos minutos encontrei o letreiro que indicava que estava em Brufe, terra ode retemperei forças. Depois, outro local para não esquecer: A Mata de Albergaria que é um dos mais importantes bosques do Parque Nacional da Peneda Gerês (PNPG), constituída predominantemente por um carvalhal secular que inclui espécies características da fauna e da flora geresianas. Guarda também um troço da Via Romana - Geira - com as ruínas das suas pontes e um significativo conjunto de marcos miliários.
A baixa presença humana nesta mata não rompeu, até há poucos anos, o frágil equilíbrio do seu ecossistema, cuja riqueza e variedade contribuíram para a sua classificação pelo Conselho da Europa, como uma das Reservas Biogenéticas do Continente Europeu.

Como estava perto, dei um ”pulo” até Vilarinho das Furnas, a tal aldeia que em 1971 ficou submersa pelas águas do Rio Homem para dar lugar á albufeira que em conjunto com a da Caniçada constituem os espelhos de água do Parque Nacional. Aquela aldeia é por vezes visível parcialmente quando a quota da água se encontra com indices abaixo do normal. Já tive a oportunidade de ter verificado passados estes anos todos, os esqueletos das habituações, os campos verdejantes com algumas árvores ainda de pé. Arrepiante e nostálgica esta visão.

Quero ainda realçar para apontamento os muitos miradouros dos quais destaco o da “boneca” ou o de “Pedra Bela” uma verdadeira janela aberta para uma paisagem imensa de verde musgo e arbóreo em contraste com o azul do céu que parecem fundidos de modo a suster a respiração e sorrir, sorrir por Deus ter dado uma oportunidade de ver de perto a Sua criação (perfeita). Quase que se adivinha a posição dos carvalhos ou azevinhos, dos vidoeiros ou medronheiros, pinheiros ou autóctones como o teixo. Quando em flor há todo um festim de cores, uma dança aos ventos calmos dos vales ou mais fustigante quando se sobe em altitude. Ainda responsáveis pelo toque naturalista deste quadro, os lírios-do-gerês, ou o feto-do-gerês para além das aromáticas que servem para curar mazelas do corpo como o hipericão do Gerês, a uva-do-monte ou a betonica-batarda. Aqui se padece de problemas com o fígado, diabetes, vesícula biliar, hipertensão arterial, junto com as infusões ainda pode usar o Spa, reinaugurado em 2007 com outras valências mas sempre com o objectivo de tratrar o utente. Como está perto, aconselho uma visita ás Termas do Gerês uma das mais procuradas a nível nacional.



Pernoita-se num dos muitos hoteis rurais que há como oferta. Para novo dia, contamos com as trilhas sempre presentes e sua envolvente destaco ainda as várias pontes – a de Albergaria, Eixões ou Carvalhosa, ou ainda a do Arado de onde se avista uma imponente cascata com um declive considerável e que quando o caudal permite, experimenta-se uma visão dos deuses.

Depois de miradouros e pontes há ainda os castros, como o do Monte Castro, povoado referenciado desde o século XIX e datado segundo alguns autores entre o II e IV milénio a.c.. Ainda destaque para o castro de Calcedónia (outro nome emblemático desta região pela sua exuberância em fauna e flora e algumas espécies autóctones) e é com total justiça que está classificada como zona bio-genética do continente europeu.

Ou as “casotas” onde acredito que Torga tenha pernoitado em alguma noite em que foi atraiçoado pelo tempo e que foi e é utilizado por pastores para descanso e que se assemelham a dólmenes ou a cabanas de pastores, usadas para pernoitar na altura das “vezeiras” ou quando as condições atmosféricas não permitem chegar á aldeia.

Alguns itinerários (que não trilhos) que pode calcorrear:

Percursos alternativos:
Gerês - Pedra Bela - Cascata do Arado - Ermida - Gerês
Gerês - Ermida - Fafião - Cabril - Pitões das Júnias - Tourém
Rio Caldo - S. Bento - Campo do Gerês - Junceda - Lamas - Gerês
Rio Caldo - S. Bento - Campo do Gerês - Vilarinho da Furna - Brufe - Terras de Bouro ou Ponte da Barca.

Qual guerreiro que olha em seu redor a contemplar as terras conquistadas e sua beleza, pensei mais uma vez que Gerês continua a ser uma das maiores atracções naturais de Portugal, pela rara e impressionante beleza paisagística e pelo valor ecológico e variedade de fauna (veados, cavalos selvagens, os garranos, lobos, aves de rapina) e flora (pinheiros, teixos, castanheiros, carvalhos, azevinhos e várias plantas medicinais).

No parque situam-se dois importantes centros de peregrinação: Nossa Senhora da Peneda réplica do Santuário do Bom Jesus em Braga e o Santuário de São Bento da Porta Aberta, local de grande devoção popular. Para ver as pontes, miradouros, castros, lagoas e cascatas e matas de interesse nacional. Não perca uma visita!

Gerês, para dias de descoberta e de fascínio entre os vales e as serranias, entre gentes com estórias para contar, narrados na primeira pessoa. Um mundo á parte, completamente!

car

CONTO PUBLICADO NO JORNAL "Correio do Minho" de 13 de Agosto de 2011

publicado por carlitos às 12:43

Outra Cidade de Braga
mais sobre mim
Agosto 2011
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

16
17
18
19

22
27

30


ELEVADOR DO BOM JESUS DO MONTE
pesquisar
 
últ. comentários
ola Sílvia.Como amigo que fui do Mário, não podia ...
Olá Carlos!Peço imensa desculpa por não ter respon...
Força Sporting!!! Vamos ganhar Zurich!!!!
Se foi apanhado nas malhas do doping só terá de pa...
Creio que virá a ser uma grande jogador!! já tinha...
É bom ver que grandes marcas como a HP têm em cont...
Será verdade? Este Alan gosta muito de picar o Jav...
Sinceramente acho que este senhor ficou tempo dema...
Poderíamos ter uma equipa já apurada para a próxim...
Vale é que muitos pais avós (agora promovidos a am...
LARGO do PAÇO BRAGA
BRAGA
JARDIM SANTA BÁRBARA - BRAGA
BANCO DE PORTUGAL - BRAGA
SC BRAGA
Outra Cidade de Braga
VICE-CAMPEÃO NACIONAL
ESTÁDIO AXA